Thursday, March 13, 2008

A Guerra

 

         No dia 29 de Fevereiro de 1985, Manuel acordou e estava tudo destruído porque houve uma guerra onde muitas pessoas tinham morrido. Quando o Manuel viu os soldados com camiões de tropa e camiões com canhões ele previa que ia acontecer alguma coisa de mal. Quando o Manuel viu muitas pessoas a fugir e a chorar ele também ficou com muito medo, por isso escondeu-se num sítio seguro e adormeci. Passando alguns dias acordei e vi tudo destruído e muitas pessoas mortas. Fui o único que sobrevivi. Depois fui ver como estavam as casas e se tinham sobrevivido mais alguém. Foi aí que o Manuel encontrou uma criança que era um rapaz que estava em casa dele a chorar. O Manuel encontrou a criança que estava agarrado a mãe e ao pai a chorar, porque eles tinham morrido. O Manuel ajudou a criança que se chamava Rui e levou-o com ele para outra terra com vida que não houvesse guerras nem tragédias. O Manuel brincava com o Rui como se fosse seu filho. O Rui gostava muito de Manuel e das suas brincadeiras.      

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Thursday, March 6, 2008

As minhas férias

As minhas férias foram em casa dos meus avós. Todos os anos as minhas férias são lá. A casa dos meus avós é grande mas parece um bocadinho pequeno. Tem umas escadas e uma cave e muito mais quartos que a nossa casa, mas tudo parece um bocadinho mais baixo e apertado. Uma vez caí das escadas e não me magoei nem nada. Mas isso foi quando eu só tinha cinco anos. Nessa altura eu não sabia escrever nem nada porque ainda estava na infantil e agora até subo dois degraus de cada vez e as pessoas dizem que eu sou muito mexido. O meu avô até me disse que eu era um super-herói. Disse assim: ah, és tu, Filipe! Achei que era um super-herói que nos tinha entrado em casa. O meu avô gosta muito de super-heróis ou pelo menos é o que eu acho porque ele está sempre a falar-me deles. À mesa, quando os outros crescidos começam a ter conversas diferentes assim mais sérias e isso, o meu avô fica calado que nem um rato, que é como diz a minha avó, e depois só diz uma coisa ou outra quando lhe apetece ou quando se lembra de uma história divertida e então dá gargalhadas muito altas, mas não altas como quando às vezes ralham alto connosco e sim altas de fazer uma espécie de cócegas na nossa boca e termos de rir também e também alto como ele. As pessoas crescidas normalmente são diferentes. As pessoas crescidas normalmente não se riem ou riem-se de coisas que não têm graça nenhuma, pelo menos eu não acho, e às vezes param mesmo de rir a meio do riso como se uma gargalhada fosse uma coisa feia ou um palavrão muito mau. As pessoas crescidas não são nada como o meu avô. O meu avô é assim mais redondo e às vezes até parece que vai tropeçar e tudo. Mesmo quando está calado ou a dormir na poltrona castanha o meu avô não é nada sério e, como eu costumo dizer, isso é muito positivo. As pessoas crescidas normalmente não são nada positivas. As pessoas crescidas normalmente são muito levantadas e direitas e fazem lembrar árvores daquelas que estão sempre num conjunto de árvores e são muito iguais às outras todas, como os eucaliptos por exemplo. Um dia o meu pai foi comigo à mata que é como nós chamamos a uma floresta que há lá ao pé da casa dos meus avós, para aí a uns 2 km ou 3 km, e mostrou-me o que eram eucaliptos. Disse assim: estás a ver, Filipe? Isto aqui é eucaliptos. Eucaliptos. Mas nessa altura eu era muito pequenino e tinha mais ou menos quatro anos e por isso ainda não sabia dizer eucaliptos. Dizia de uma maneira diferente e engraçada mas agora
Já não me lembro. Já passou muito tempo porque isto foi quando eu ainda era um bebé. Aos seis anos é a idade em que se fica mais crescido e eu já estou quase a fazer sete por isso vou rebentar a escala e claro já não sou um bebé.
                                                                            Jacinto Lucas Pires
                                                                           Abre para cá, Livros Cotovia

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